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Espírito Santo vira página da violência e fecha 2025 com o menor número de homicídios da história.


Por Addison Viana

Estado rompe a barreira dos 800 assassinatos pela primeira vez em quase três décadas e consolida trajetória contínua de queda da criminalidade.


Foto: Divulgação


O Espírito Santo terminou 2025 com um marco que muda a forma como o estado é visto no cenário da segurança pública. Pela primeira vez em 29 anos, o número de homicídios ficou abaixo de 800 casos, alcançando o total de 796 assassinatos ao longo do ano — o menor patamar desde que os dados passaram a ser contabilizados oficialmente.


O resultado representa uma queda de 6,8% em relação a 2024, até então o melhor ano da série histórica. Na prática, isso significa 58 vidas preservadas em apenas doze meses e a consolidação de uma tendência de redução consistente da violência letal no estado.


Queda consistente e política contínua


Para o governo estadual, os números refletem um trabalho contínuo e estruturado. O governador Renato Casagrande destacou que, apesar dos avanços, o compromisso permanece. Segundo ele, não há motivo para comemoração enquanto vidas seguem sendo perdidas, mas os dados indicam que o caminho adotado está correto, com investimentos em inteligência, integração de políticas públicas e valorização dos profissionais da segurança.


O vice-governador Ricardo Ferraço, que coordena o Programa Estado Presente em Defesa da Vida, reforçou que a redução histórica é resultado da recomposição dos efetivos, do uso intensivo de tecnologia e da atuação integrada das forças de segurança. Para ele, a segurança pública exige vigilância permanente e não admite recuos.


Regiões e municípios com resultados históricos


A redução dos homicídios foi registrada em praticamente todas as regiões do estado. O maior destaque ficou com a Região Sul, que apresentou queda de 33,3%, alcançando o melhor resultado de sua história, com apenas 58 ocorrências. As regiões Serrana e Noroeste também tiveram reduções expressivas, de 25,4% e 12,6%, respectivamente.


Mesmo a Região Metropolitana, tradicionalmente mais impactada pela violência devido à alta densidade populacional, atingiu seu melhor desempenho histórico, com 395 homicídios em 2025, contra 403 no ano anterior.


Além disso, dez municípios capixabas terminaram o ano sem nenhum registro de homicídio. Alguns deles acumulam longos períodos de tranquilidade, como Dores do Rio Preto, que soma mais de três anos sem assassinatos, seguido por Iconha e Vila Pavão, que também ultrapassaram a marca de dois anos sem ocorrências.


Avanços na proteção às mulheres


Outro dado relevante de 2025 foi a redução da violência letal contra mulheres. O estado registrou 75 homicídios femininos, o menor número desde 1996. Já os casos de feminicídio tiveram queda de 15,4%, atingindo o menor patamar desde o início do monitoramento específico desse tipo de crime, em 2017.


Esses resultados estão ligados às políticas de proteção e enfrentamento à violência de gênero, incorporadas ao Programa Estado Presente por meio do Programa Mulher Viva +, que fortaleceu ações preventivas e repressivas.


Menos crimes contra o patrimônio


A melhora nos indicadores não se restringiu aos crimes contra a vida. Em 2025, os roubos e furtos de veículos caíram 13,8%, enquanto os crimes envolvendo celulares tiveram redução de 15,3%.


O dado mais expressivo foi a queda nos roubos dentro do transporte coletivo, que despencaram 56,9% em relação ao ano anterior. O resultado é atribuído ao reforço do policiamento em terminais e à ampliação dos sistemas de videomonitoramento nos ônibus e estações.


Tecnologia como aliada da segurança


A transformação no cenário da segurança pública capixaba também passa pelo uso intensivo de tecnologia. O estado ampliou o Cerco Inteligente, que hoje conta com mais de 1.400 câmeras e 40 Totens de Segurança integrados ao Núcleo de Intervenções Rápidas.


Com recursos como reconhecimento facial e leitura de placas, o sistema contribuiu para a prisão de centenas de pessoas com mandados em aberto e para a recuperação de veículos roubados, além de permitir que a população acione rapidamente as forças de segurança.


Após décadas figurando entre os estados mais violentos do país, o Espírito Santo fecha 2025 com um novo retrato: menos homicídios, mais prevenção e a sinalização de que o enfrentamento à criminalidade, quando contínuo e baseado em dados, pode gerar resultados concretos.

 
 
 

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