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Execução em praça cheia de crianças expõe racha no PCV e termina com três presos em Vitória.


Por Addison Viana


Foto: Sesp/ES - Presos: da esquerda para a direita: Ediel de Souza dos Santos, Ícar Gabriel dos Santos Silva e Igo Figueredo de Oliveira.

Crime ocorrido em plena luz do dia, em Goiabeiras, foi motivado por disputa interna da facção e teve mandante, executor e olheiro identificados pela polícia.


A Polícia Civil do Espírito Santo esclareceu um homicídio que chocou moradores de Goiabeiras, em Vitória, ocorrido no dia 9 de agosto de 2025. A vítima, Ramon, foi executada à luz do dia em uma praça do bairro, enquanto crianças brincavam na quadra e moradores circulavam pelo local.

O crime escancarou um conflito interno dentro da facção Primeiro Comando de Vitória (PCV) e terminou com três envolvidos presos.


As investigações foram conduzidas pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vitória, sob coordenação do delegado Ramiro Diniz, com apoio do delegado Agis Macedo. Segundo a polícia, o assassinato foi decretado após a vítima, Ramon Santanna ser acusado de repassar informações a um traficante foragido que atua no Rio de Janeiro.


De acordo com a apuração, a vítima estaria sendo apontada por criminosos da Grande Goiabeiras como informante de José Felipe Carvalho Santos, conhecido como “Salomão” ou “Gaguinho”, traficante que atualmente se esconde na Rocinha, no Rio de Janeiro, e figura na lista dos 10 mais procurados do Espírito Santo. Salomão é apontado como rival dos atuais líderes do tráfico local e representa um braço do chamado “PCV do Rio”.


A polícia explicou que a facção sofreu uma divisão: de um lado, o PCV originário, formado por criminosos da própria região; do outro, integrantes ligados a lideranças que atuam fora do Estado. Essa disputa interna teria motivado a execução.


Dinâmica do crime


No dia do homicídio, Ramon estava sentado na praça conversando com amigos. Imagens de câmeras de segurança mostram os suspeitos passando diversas vezes de bicicleta pelo local, observando a movimentação. Em determinado momento, um deles retorna armado e efetua os disparos.


O executor foi identificado como Ediel de Souza dos Santos, de 33 anos, na hora do crime ele usava camiseta branca. Ediel teria sido escolhido para cometer o crime por ser considerado o mais vulnerável do grupo, já que havia deixado a prisão cerca de um mês antes.


O monitoramento da vítima ficou sob responsabilidade de Ícaro Gabriel dos Santos Filho, 20, que vestia camiseta vermelha e alertava sobre a presença policial. Já o mandante do assassinato foi identificado como Igo Figueiredo de Oliveira, apontado como liderança do tráfico na região da Grande Goiabeiras.


Prisões e confissões


As prisões ocorreram de forma escalonada. Ícaro foi detido em 23 de setembro de 2025. Em depoimento, confessou que monitorava Ramon e auxiliou na ação criminosa. Igor foi preso em 23 de outubro, em sua residência no bairro Maria Ortiz. Ele optou por permanecer em silêncio durante o interrogatório. O último a ser capturado foi Ediel, preso em 28 de novembro, no bairro Campo Verde, em Cariacica, após fugir para o interior do Estado, onde trabalhou temporariamente em uma fazenda de café. Ao ser interrogado, também confessou ser o autor dos disparos.

A arma utilizada no crime não foi localizada.


Conflito interno e redução da violência


Segundo a DHPP, todos os envolvidos — autores e vítima — tinham ligação com o PCV. A diferença é que os executores pertenciam ao grupo que se autodenomina PCV raiz, que não aceita mais a influência de criminosos foragidos no Rio de Janeiro sobre o tráfico local.


Durante a coletiva, a polícia destacou que, apesar da gravidade do caso, o trabalho de investigação contribuiu para enfraquecer as lideranças criminosas da região. A DHPP de Vitória encerrou 2025 com redução de 35% nos homicídios em comparação a 2024, e a expectativa é de queda ainda maior em 2026, com o monitoramento contínuo das facções.


 
 
 

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