Academia Marataizense de Letras celebra 16 anos com sessão solene marcada por cultura, homenagens e inclusão.
- Addison Viana
- 29 de dez. de 2025
- 4 min de leitura
Por Sérgio Oliveira

Foto: Divulgação
A Academia Marataizense de Letras (AML) comemorou, nesse mês de dezembro de 2025, seus 16 anos de fundação com uma sessão solene realizada no auditório do Tribunal do Júri do Fórum de Marataízes. O evento reuniu acadêmicos, autoridades dos poderes constituídos, agentes culturais, convidados e um público expressivo, consolidando a Academia como uma das principais referências culturais do município e do sul capixaba.
A solenidade foi conduzida pelo presidente em exercício da AML, Dr. Sérgio Dário Machado, obedecendo a rigor cerimonial e refletindo a seriedade institucional, a tradição e o compromisso permanente da entidade com a cultura, a literatura e a educação. A programação incluiu pronunciamentos oficiais, homenagens, juramento de novos acadêmicos, exposições culturais e apresentações artísticas que marcaram a noite.
Entre os momentos de maior emoção, destacou-se a homenagem póstuma ao acadêmico honorário Ary Fiorezi de Oliveira, ex-prefeito de Alegre (ES), falecido aos 105 anos, lúcido e atuante até os últimos anos de vida. Reconhecido por sua contribuição ao comércio, à vida pública e à cultura capixaba, Ary Fiorezi teve sua trajetória lembrada como exemplo de dedicação à coletividade e à preservação da memória histórica do Espírito Santo.
A sessão solene também foi marcada pelo juramento dos novos acadêmicos empossados — efetivos, correspondentes, honorários e beneméritos —, ato simbólico que reafirma o compromisso ético, cultural e intelectual com a Academia, com a valorização da literatura, a preservação da memória e o fortalecimento da cultura em Marataízes e no Estado.
No hall de entrada do auditório, o público teve acesso à exposição de livros de autores da Academia, com destaque para o escritor Guilherme Nascimento, que apresentou a obra Entre Pix e Promessas, refletindo sobre a literatura contemporânea capixaba e realizando a doação de exemplares aos presentes. O espaço também contou com a exposição de biojoias da artesã Drica Biojoias, produzidas a partir de elementos naturais, valorizando a biodiversidade local e o artesanato sustentável.
Durante a cerimônia, foi ressaltado o papel social da Academia Marataizense de Letras como instituição de utilidade pública municipal e estadual, além de sua presença consolidada no calendário oficial de eventos de Marataízes.
Ao longo de seus 16 anos de história, a AML desenvolveu diversas ações culturais, como contação de histórias, palestras educativas, workshops literários, apresentações teatrais, encontros de grupos folclóricos, lançamentos de livros e projetos permanentes de incentivo à leitura, especialmente em comunidades periféricas. A instituição também é reconhecida como Ponto de Cultura, título concedido pelo Ministério da Cultura por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult/ES).
As apresentações artísticas deram brilho especial à noite. O Espaço Alice Ballet emocionou o público com uma apresentação de balé clássico protagonizada por alunas do segmento infantojuvenil. A programação contou ainda com a participação da Banda Marcial Luciano Leal da Cunha, da Escola Anacleto Jacinto Ribeiro, do município de Itapemirim, além das apresentações musicais dos cantores Luciano Máximo e Evandro Belumth.
O encerramento ficou por conta do maestro Mauro Sérgio que, ao som do saxofone, transformou o auditório em um espaço de celebração, convidando o público a dançar em clima de confraternização.
Outro destaque da noite foi a Biblioteca Comunitária Raul Sampaio, mantida pela Academia e reconhecida oficialmente pela Biblioteca Estadual do Espírito Santo e pela Secult/ES. O espaço foi apresentado como instrumento essencial de democratização do acesso ao livro, à leitura e à formação cultural. A solenidade contou ainda com a atuação da intérprete de Libras, professora Diana, servidora da Apae de Marataízes — instituição parceira constante da Academia —, reforçando o caráter inclusivo e acessível do evento.
Entre os homenageados da noite estiveram o vice-prefeito de Marataízes, Willian de Souza Duarte; o juiz de Direito Dr. Evandro Alberto da Cunha; Edilson Celestino Ferreira; Dr. Pedro Antônio de Souza; Débora Brasil Viana Mata; Dra. Fabíola Barreto; Dr. João Saraiva; o maestro Mauro Sérgio; e Bárbara Pérez, reconhecidos pelas relevantes contribuições à cultura, à cidadania e à vida pública do município e do Estado.
Considerações finais
Entre palavras que fundam, gestos que preservam e vozes que atravessam o tempo, a Academia Marataizense de Letras reafirma, aos seus 16 anos, sua vocação maior: guardar a memória sem renunciar ao futuro. Mais que uma instituição, a AML se revela um território simbólico onde a cultura encontra abrigo, a literatura ganha corpo e a cidadania aprende a se reconhecer.
Nesta sessão solene, o rigor acadêmico caminhou ao lado da sensibilidade artística, provando que o saber não se encerra em estantes, mas circula — em livros partilhados, em danças, em músicas, em gestos de inclusão e no silêncio respeitoso das homenagens. Cada juramento pronunciado foi também um pacto com a ética, com a palavra e com a responsabilidade de manter viva a identidade cultural de Marataízes e do Espírito Santo.
Assim, entre o passado que honra, o presente que constrói e o futuro que convoca, a Academia segue sendo farol e ponte: ilumina caminhos, conecta gerações e transforma letras em legado. Porque onde a palavra é cuidada, a cultura permanece — e onde a cultura permanece, a sociedade floresce.

























































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