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Acusado de assassinato na Barra do Jucu, Roberto Vilete tem a prisão preventiva decretada.

Por Addison Viana


Uma disputa antiga acabou em tragédia e levou a DHPP de Vila Velha a solucionar mais um homicídio em poucos dias.


Foto: Sesp/ES - A DHPP concluiu as investigações do assassinato ocorrido em 2 de novembro na Barra do Jucú. Roberto foi indiciado por homicídio doloso.


Uma briga territorial que se arrastava há anos no bairro Barra do Jucu, em Vila Velha, terminou em morte no dia 2 de novembro. Em pouco tempo, a Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) elucidou o caso, prendeu o suspeito e desmontou a tese de legítima defesa apresentada por ele. O crime marcou os primeiros dias da nova chefia da unidade, agora comandada pelo delegado Fabrício Dutra, que assumiu com a meta de reforçar a elucidação rápida de homicídios no município.


A vítima, Samuel Couto, de 25 anos, havia se mudado recentemente para o terreno em disputa. Além de morar no local, ele vendia bebidas para turistas que frequentam a região da Ponta da Madalena — ponto bastante visitado da Barra do Jucu. A relação com os vizinhos, contudo, rapidamente se tornou tensa.


Do outro lado estava Roberto Vieira, dono de uma peixaria ao lado do terreno e irmão de uma das pessoas envolvidas no conflito judicial. Há anos, a irmã dele e o ex-marido travam uma disputa pela posse da parte inferior do terreno, onde existe uma casa. O ex-companheiro, para provocar a família, teria colocado Samuel para morar justamente na área contestada.


Segundo os delegados responsáveis pelo caso, os desentendimentos se tornaram quase diários. Confrontos verbais com Roberto e o pai dele eram comuns, e o ambiente ficou ainda mais tenso após um episódio em que Samuel teria empurrado o idoso durante uma discussão.


O dia do crime


No feriado de Finados, mais uma briga por causa de entulhos no terreno acendeu o estopim. Testemunhas relataram que Roberto se irritou ao ver Samuel mexendo na área em disputa, interpretando o ato como uma “declaração de posse”.


Após trocas de insultos, Roberto foi até sua casa e retornou com a arma registrada em seu nome — um armamento que ele só poderia manter dentro de casa ou no trabalho, não portar na rua. Ao voltar, efetuou um disparo para o alto, tentando intimidar a vítima. Mesmo assim, a discussão continuou.


Em seguida, Roberto atirou ao menos três vezes em direção a Samuel, que morreu na hora.


A versão desmontada


Preso temporariamente, Roberto alegou que agiu em legítima defesa, afirmando ter visto uma faca na cintura da vítima. Porém, a perícia técnica, fotos do local e a equipe de investigação não encontraram qualquer arma com Samuel.


Além disso, os delegados destacam que, mesmo que houvesse uma ameaça, a reação de Roberto foi completamente desproporcional. Os múltiplos disparos reforçaram a tese de intenção de matar.


Com as provas reunidas, o inquérito foi finalizado com indiciamento por homicídio doloso, e o juiz converteu a prisão temporária em preventiva. O Ministério Público já apresentou denúncia, e o caso segue para julgamento.


Nenhum dos envolvidos tinha ligação com o tráfico. Roberto possuía antecedentes por ameaça e lesão corporal; já Samuel tinha um histórico relacionado à Lei Maria da Penha. Porém, nada ligado ao crime organizado — reforçando que a motivação foi inteiramente familiar e territorial.

 
 
 

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