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ANÁLISE: A vitória silenciosa de Ricardo sobre Arnaldinho.

Foto: Reprodução


A movimentação recente dentro do PSDB escancarou uma engenharia política cirúrgica, milimetricamente construída nos bastidores, e que se tornou pública através de sinais muito claros. A chamada tropa de choque tucana — representada por Luís Paulo e Max Filho — deixou nítido um desconforto que não pode ser ignorado.

 

A verdade é objetiva: não existe plano B para Arnaldinho sem um partido que o sustente numa disputa real contra Ricardo. E, nesse tabuleiro, o PSDB aparece como a última porta aberta.

 

Mas portas abertas, em política, só permanecem assim quando não representam ameaça. É aí que começa o desenho estratégico.

 

 1. A fala cirúrgica de Renato Casagrande

 

Renato Casagrande, experiente e cauteloso, deu o recado perfeito:

"Desde que não haja atropelos, não há óbice à entrada de Arnaldinho no PSDB."

 

A frase soa amistosa, mas esconde seu verdadeiro significado:

— Entrem, mas não tomem o partido pela força.

— Não desorganizem a corrente da frente ampla.

— E não criem crise em pleno pré-palanque para o Senado.

 

Ou seja, Casagrande acena, mas delimita o terreno. Ele não pode — e nem quer — uma ruptura dentro do PSDB que exploda seus arranjos.

 

 2. Luís Paulo e Max Filho entram no jogo

 

Logo após a fala do governador, dois nomes pesados do PSDB surgem com discursos milimetricamente complementares:

 

Max Filho expõe abertamente o desconforto interno com a entrada de Arnaldinho.

 

Luís Paulo sai em defesa de Vandinho Leite, líder do governo na ALES, cuja relação com o diretório nacional já está fragilizada.

 


Ambos, com prestígio, votos e histórico administrativo, enviam um recado inequívoco:

o partido tem dono, tem história e não será capturado sem resistência.

 

3. O movimento pró-Ricardo

 

A sequência de falas não foi coincidência.

Foi estratégia.

 

Com Casagrande delimitando o "não atropelo" como condição e Max Filho e Luís Paulo dando o tom interno, criou-se um clima perfeito para barrar a tomada do partido por Arnaldinho.

 

A conta é simples: qualquer tentativa de mudança brusca no diretório, a partir de agora, se configurará como atropelo.


E um atropelo, por sua vez, coloca Casagrande em saia justa e amplia — paradoxalmente — o apoio ao único nome capaz de manter estabilidade: Ricardo.

 

O movimento é tão inteligente que transforma o simples ato de se defender numa arma poderosa. Arnaldinho, querendo entrar, vira o "agressor". Ricardo, se mantendo, vira o "pilar da ordem".

 

 4. O fator ingovernável: Aécio Neves

 

Mas há um ator externo ao Espírito Santo cujo papel é decisivo: Aécio Neves.

 

E é aqui que a trama ganha densidade.

 

A relação entre Aécio e Vandinho Leite é marcada por atritos — sobretudo porque Vandinho foi um dos mais aguerridos defensores de sua expulsão do PSDB. Aécio engoliu, mas não esqueceu.

 

Agora, o partido precisa escolher: quem permanece? O presidente estadual que tentou expulsar Aécio ou o prefeito que pode fortalecer o tucanato nacional?

 

Se Aécio optar por trocar Vandinho por Arnaldinho, não será atropelo. Será vingança política — a mais tradicional e antiga engrenagem dos partidos brasileiros.

 

Uma resposta dura a Vandinho, acusado de ter faltado com a lealdade e discrição necessárias no pior momento, quando preferiu se aliar ao mundo político de João Doria.

 

Assim, o quadro se reconfigura: não se trata de um golpe interno. Não se trata de ruptura da frente ampla. Trata-se de um desfecho inevitável para uma história que ruiu sozinha.

 

O ponto final de uma relação mal resolvida dentro do próprio PSDB.

 

Conclusão: Ricardo já venceu quando somamos: a fala milimétrica de Casagrande; a reação dura de Max Filho e Luís Paulo, a pressão do diretório nacional, a memória política de Aécio d a fragilidade estratégica de Vandinho…

 

 Fica evidente: Ricardo, mesmo sem protagonizar, venceu. A engenharia foi montada para impedir a ascensão de Arnaldinho — e funcionou antes mesmo da disputa começar.

 
 
 

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