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Calor recorde e chuvas intensas colocam o ES em alerta: adaptação climática entra no centro do debate.


Por Addison Viana


Com temperaturas extremas e histórico de enchentes no verão, proposta na Assembleia Legislativa defende planejamento para proteger vidas e reduzir prejuízos.


Foto: Kamyla Passos - De acordo com Camila Valadão, a crise climática já é uma realidade no dia a dia dos capixabas.


O início do verão no Espírito Santo tem sido sinônimo de calor intenso. Em algumas cidades, os termômetros ultrapassaram os 40 °C, elevando o desconforto térmico e os riscos à saúde da população. Mas o problema não para por aí. Historicamente, os meses mais quentes também trazem chuvas fortes, alagamentos e enchentes que afetam principalmente comunidades em áreas vulneráveis e com pouca infraestrutura.


Esse contraste entre calor extremo e temporais cada vez mais intensos tem se tornado mais frequente, acendendo um sinal de alerta para a necessidade de ações preventivas e planejamento de longo prazo.


Proposta busca antecipar problemas


Diante desse cenário, a deputada estadual Camila Valadão (PSOL) apresentou a Indicação nº 1715/2025, solicitando ao Governo do Estado medidas para reduzir os danos causados por eventos climáticos extremos. A proposta parte do princípio de que reagir apenas após as tragédias não é suficiente.


Segundo a parlamentar, a crise climática já é uma realidade no dia a dia dos capixabas, exigindo respostas estruturadas, baseadas em dados técnicos e políticas públicas integradas.


Estudos de risco e planejamento hídrico


Um dos principais pontos da indicação é a realização de análises de risco climático nas bacias hidrográficas do Espírito Santo, por meio da Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh). A ideia é compreender como os rios se comportam tanto em períodos de estiagem quanto em momentos de chuvas intensas, usando séries históricas e dados técnicos.


Esses estudos serviriam como base para decisões mais eficientes sobre uso da água, prevenção de enchentes e garantia de segurança hídrica para a população.


Revitalização de rios e soluções naturais


A proposta também defende a revitalização dos rios, com reflorestamento das matas ciliares utilizando espécies nativas e dragagem em pontos críticos para melhorar o escoamento da água. Além disso, sugere ampliar a capacidade de preservação hídrica nos municípios, ajudando a reduzir impactos tanto das secas quanto das enchentes.


Outro destaque é a aposta em Soluções Baseadas na Natureza, como aumentar a permeabilidade do solo urbano, criar reservatórios de detenção, trincheiras de infiltração e piscinões em áreas sujeitas a alagamentos. Essas medidas permitem que a água da chuva infiltre no solo, reduzindo a sobrecarga dos sistemas de drenagem.


Proteção aos mais vulneráveis


A indicação chama atenção para a necessidade de identificar, em parceria com as prefeituras, as pessoas que vivem em áreas de maior risco. A proposta inclui ainda a criação de espaços comunitários com conforto térmico, que possam servir de abrigo durante ondas de calor extremo — cada vez mais comuns no estado.


Para a deputada, falar em adaptação climática também é falar em justiça social, garantindo proteção e acolhimento a quem mais sofre com os impactos das mudanças no clima.


Participação popular no centro das decisões


Outro ponto defendido é a participação ativa da sociedade civil no planejamento e na execução das políticas ambientais. A proposta reforça que soluções duradouras passam pela construção coletiva, envolvendo comunidades, movimentos sociais e poder público.


Em um estado marcado por extremos climáticos, a pauta da adaptação volta ao centro do debate como uma estratégia essencial para proteger vidas, preservar o território e preparar o Espírito Santo para os desafios do futuro.

 
 
 

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