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Churrasco termina em execução: crime planejado em Cobilândia é desvendado após meses de investigação.


Por Addison Viana


Foto: Sesp/ES - Carlos Andryel e Kayki Lima permanecem presos e seguem à disposição da Justiça, os dois respondem por homicídio qualificado.


Uma emboscada articulada com troca de mensagens, vigilância silenciosa e fuga de bicicleta levou à morte de Gabriel Lourenço, em Vila Velha, em agosto de 2024.


A Polícia Civil do Espírito Santo esclareceu um homicídio ocorrido no bairro Cobilândia, em Vila Velha, no sábado, 23 de agosto de 2024, após um trabalho minucioso de investigação que resultou na prisão de dois envolvidos. A vítima, Gabriel Lourenço, foi morta com mais de quatro disparos de arma de fogo pelas costas, enquanto participava de um churrasco em um estabelecimento comercial da região.


Segundo a Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o crime foi resultado de uma emboscada previamente planejada. Testemunhas relataram que Gabriel estava sentado e conversando com familiares quando foi surpreendido pelo atirador, sem qualquer chance de defesa.


As investigações apontaram dois autores: Carlos Andryel, identificado como o executor dos disparos, e Kayki Lima Moraes, primo da esposa da vítima, que teria atuado como informante. De acordo com a Polícia Civil, Kayki estava no local do churrasco, mas permaneceu escondido dentro do comércio ao perceber a presença de Gabriel, com quem mantinha desavenças antigas.


Imagens de câmeras de videomonitoramento mostraram Kayki utilizando o celular de forma constante, repassando informações sobre a movimentação da vítima. Em determinado momento, ele saiu do estabelecimento, circulou pela região de bicicleta e retornou minutos depois, posicionando-se do outro lado da rua. Pouco depois, Carlos Andryel chegou em outra bicicleta, se comunicou por gestos com Kayki e aguardou o momento exato para agir.


A cena registrada pelas câmeras mostra Carlos Andryel surgindo de trás de uma marquise e efetuando os disparos fatais pelas costas de Gabriel. Após o crime, os dois fugiram de bicicleta em direção ao bairro Jardim Marilândia, onde moravam.


Com base nos depoimentos, imagens e demais elementos colhidos no inquérito, a Polícia Civil deflagrou, cerca de dois meses após o crime, a Operação Espreita — nome que faz referência à forma como a vítima foi observada e monitorada antes da execução. Durante a operação, os dois suspeitos foram presos.


Na residência de Carlos Andryel, os policiais apreenderam as roupas usadas no dia do crime, incluindo uma bermuda preta com listras amarelas, compatível com as imagens captadas pelas câmeras. Em depoimento, ele confessou o homicídio.


As investigações também revelaram que o crime teve como motivação uma rixa ligada ao tráfico de drogas. Gabriel Lourenço, segundo a polícia, tinha envolvimento anterior com o tráfico e teria expulsado Carlos Andriel de um ponto de venda de drogas no bairro Jardim Marilândia, conhecido como “Boca da Pracinha”. No interrogatório, Carlos alegou que vinha sendo ameaçado pela vítima, o que teria motivado a execução.


A Polícia Civil destacou que o caso reforça a importância da integração entre equipes, do uso de tecnologia e da persistência investigativa para a elucidação de crimes graves. Os dois presos seguem à disposição da Justiça e respondem por homicídio qualificado.

 
 
 

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