Da toga à cela: desembargador do ES é preso em nova fase de operação da PF.
- Addison Viana
- 16 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Por Redação Café
Investigação da Polícia Federal aponta vazamento de informações sigilosas e possíveis ligações com o crime organizado.

Foto: Divulgação - A trajetória de Macário é marcada por episódios controversos. Ainda nos anos 2000, quando atuava como juiz federal em Vitória, foi investigado por suspeitas de venda de sentenças e envolvimento com um esquema conhecido como máfia dos caça-níqueis.
O desembargador capixaba Macário Ramos Júdice Neto foi preso nesta terça-feira (16) pela Polícia Federal, durante a segunda etapa da Operação Unha e Carne. A investigação busca esclarecer o suposto vazamento de informações sigilosas ligadas à Operação Zargun, que apura crimes relacionados ao crime organizado.
Além da prisão, os agentes cumpriram 10 mandados de busca e apreensão no Espírito Santo e no Rio de Janeiro. As ordens judiciais foram expedidas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo a PF, o objetivo é aprofundar investigações sobre a atuação de grupos criminosos violentos e eventuais vínculos com servidores públicos. A operação segue determinação do STF dentro do julgamento da ADPF 635, conhecida como “ADPF das Favelas”, que estabeleceu novas diretrizes para o combate ao crime organizado no Rio de Janeiro.
A mesma apuração já havia resultado na prisão do então presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar, reforçando a suspeita de uma rede estruturada de vazamentos de informações estratégicas.
Passado marcado por investigações
A trajetória de Macário Júdice no Judiciário é marcada por episódios controversos. Ainda nos anos 2000, quando atuava como juiz federal em Vitória, ele passou a ser investigado por suspeitas de venda de sentenças e envolvimento com um esquema conhecido como máfia dos caça-níqueis.
Em 2005, foi afastado do cargo. Embora tenha sido absolvido na esfera criminal em 2015, continuou fora da função por conta de um processo administrativo disciplinar, que se arrastou por anos e chegou ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Somente em novembro de 2022, o CNJ determinou sua reintegração, ao entender que o prazo para julgamento havia sido ultrapassado. Em 2023, após decisões favoráveis no TRF-2, Macário reassumiu uma vara federal em Vitória e, meses depois, foi promovido a desembargador, após cerca de 17 anos afastado da magistratura.
Defesa contesta prisão
Em nota, a defesa do magistrado afirmou que a decisão que determinou a prisão teria sido tomada com base em informações equivocadas. Os advogados alegam ainda que não tiveram acesso integral à decisão judicial, o que, segundo eles, compromete o direito à ampla defesa e ao contraditório.
A defesa informou que irá se manifestar formalmente nos autos e pedir a revogação imediata da prisão.
Fonte: ES360

























































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