top of page

Do cuidado à tragédia: investigação revela detalhes do assassinato de enfermeiro na Serra.


Por Addison Viana


Prisão rápida da Polícia Civil expõe histórico de violência, dependência química e um relacionamento marcado por alertas ignorados.


Foto: Sesp/ES - Tiago Gonçalves Tófio é o principal suspeito pelo assassinato de seu namorado, Gabriel.


A morte do enfermeiro Gabriel Costa de Castro, de 35 anos, ocorrida no bairro Ourimar, na Serra, ganhou novos contornos após a coletiva concedida pela Polícia Civil do Espírito Santo. Em menos de 24 horas, a Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra prendeu o principal suspeito do crime: Tiago Gonçalves Tófio, de 26 anos, companheiro da vítima.


A prisão aconteceu na manhã da segunda-feira, 29 de dezembro, no bairro Joana D’Arc, em Vitória, no exato momento em que Tiago recebia alta médica de uma clínica psiquiátrica onde havia sido internado de forma voluntária poucas horas após o homicídio. Segundo a polícia, ele foi avaliado como lúcido e orientado pelo médico responsável, o que permitiu a captura em flagrante.


Durante a coletiva, o delegado Rodrigo Mori destacou a rapidez da investigação e o trabalho ininterrupto da equipe desde as primeiras horas após o crime. Já o delegado Paulo Gomes, que participou diretamente das diligências, detalhou a dinâmica do homicídio, o perfil da vítima e o histórico do suspeito.


Gabriel Costa de Castro era enfermeiro, atuava como cuidador de idosos e era descrito por colegas e familiares como uma pessoa extremamente empática, solidária e dedicada ao próximo. Segundo a polícia, esse perfil explica por que ele acolheu Tiago mesmo diante de alertas de familiares e amigos.


O relacionamento entre Gabriel e Tiago durava cerca de dois anos e, de acordo com testemunhas, era marcado por episódios de ciúmes excessivos, possessividade e agressividade por parte do suspeito.

Familiares de Tiago chegaram a orientar Gabriel a se afastar, pois conheciam o histórico violento do jovem desde a adolescência.


Esse histórico ficou evidenciado em registros policiais. Em 2017, Tiago foi denunciado por agredir a própria mãe, incluindo tentativa de enforcamento, após um desentendimento envolvendo drogas e dinheiro.


Em 2023, uma ex-companheira registrou ocorrência relatando cárcere privado, agressões físicas e violência sexual, além de solicitar medidas protetivas. Já em 2024, a mãe voltou à delegacia relatando novos episódios de violência e destruição dentro de casa.


Poucos dias antes do crime, Tiago se envolveu em uma briga com o irmão, em Vila Velha, onde foi agredido. Sem apoio familiar, ele procurou abrigo na casa de Gabriel, na Serra. Mesmo ferido, Gabriel o acolheu, comunicou familiares e chegou a levá-lo a uma unidade de saúde para atendimento médico.


Imagens de câmeras de segurança do condomínio foram decisivas para a investigação. Elas mostram o casal chegando ao apartamento por volta das duas horas da manhã de domingo. Horas depois, vizinhos ouviram barulhos de objetos quebrando e pedidos de socorro. Entre a madrugada e o início da manhã, Gabriel foi morto a facadas dentro do imóvel.


Antes de fugir, Tiago usou o celular da vítima para ligar a um familiar e afirmou, de forma confusa, que havia “feito uma besteira” e precisava de ajuda. Ele deixou o apartamento descalço, deixando marcas de sangue pelo caminho, e seguiu para Vitória, onde acabou sendo levado por um parente a uma clínica para internação.


Em depoimento, Tiago alegou ter agido em um momento de fúria. A polícia, no entanto, informou que a faca utilizada no crime não pertencia à vítima e já estava na mochila do suspeito desde a sexta-feira, quando ele saiu de Vila Velha. O objeto foi apreendido no local, e a informação levanta a hipótese de premeditação, que segue sendo apurada.


O delegado Paulo ressaltou que Tiago chegou a alegar, sem apresentar provas, que Gabriel teria “incorporado uma entidade”, versão que não encontra respaldo nos depoimentos de testemunhas nem no histórico da vítima.


O caso segue em investigação para a conclusão do inquérito, mas, segundo a Polícia Civil, os elementos reunidos até agora são robustos e apontam para um homicídio cometido dentro de um contexto de violência recorrente.

 
 
 

Comentários


Leia também:

bottom of page