Golpe do Falso Advogado explode no ES: polícia desvenda ‘fábrica de fraudes’ no Ceará.
- Addison Viana
- 9 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Por Addison Viana
Uma ação interestadual revelou como uma organização criminosa usava dados reais de processos para enganar vítimas em vários estados.

Foto: Sesp/ES - Thalisson Filipe Nobre de Mendonça, de 25 anos, está preso.
Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) avançou contra um dos golpes mais sofisticados em circulação no país: o do “falso advogado”. A operação, deflagrada no fim de outubro pela Superintendência de Inteligência e Ações Estratégicas (SIAE), pela Divisão de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Diccor) e pela Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos (Desarme), teve como alvo uma organização criminosa sediada em Maracanaú, no Ceará.
O trabalho investigativo começou no Espírito Santo, após vítimas procurarem a polícia relatando contatos de supostos advogados que prometiam liberar indenizações judiciais — desde que fossem pagas custas processuais antecipadas. O golpe se tornou tão convincente que usava dados verdadeiros de processos, fotos de profissionais reais e boletos quase idênticos aos de instituições oficiais.
Com o avanço da apuração, a PCES identificou que vários dos golpistas operavam conectados à mesma antena telefônica em Maracanaú, indicando concentração territorial e alto grau de repetição do esquema. “Era como um polo de estelionato, com criminosos copiando o mesmo método e atuando quase lado a lado”, descreveu o delegado responsável pela investigação.
No dia da operação, equipes da PCES se deslocaram ao Ceará com apoio do Centro de Inteligência e Análise Telemática (Ciat) e da Polícia Civil do Ceará (PCCE). Ao todo, foram cumpridos mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão contra Thalisson Filipe, de 25 anos, apontado como integrante direto da estrutura criminosa. Todo o material coletado passou a ser analisado para identificar conexões, novas vítimas e possíveis ramificações em outros estados.

Foto: Sesp/ES - Ralysson Alves Cavalcante, de 21 anos, encontra-se foragido.
Os investigados já foram denunciados pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES) e se tornaram réus em ação penal. Segundo a PCES, o grupo movimentava dinheiro por meio de contas de laranjas — alguns conscientes, que alugavam suas contas bancárias, e outros enganados por golpes de falso consignado, tendo contas abertas sem saber.
Um dos maiores desafios apontados pela polícia é a desconfiança das próprias vítimas. Com tantos golpes digitais, muitos acreditam que estão diante de mais uma fraude quando os investigadores entram em contato. A orientação da PCES é clara: ao registrar boletim de ocorrência, a vítima precisa declarar expressamente que deseja representar criminalmente, além de fornecer todas as informações possíveis sobre o golpe sofrido.
A operação no Ceará é considerada um passo decisivo para enfraquecer o esquema. Novos detalhes e avanços da investigação serão apresentados em coletiva de imprensa nesta terça-feira (09), na Chefatura de Polícia Civil, em Vitória.

























































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