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Golpe na quadrilha: prisões derrubam furtos de caminhões e aliviam prejuízo de trabalhadores no ES.


Por Addison Viana


Integração entre forças de segurança desmonta rede de furtos e receptação e faz crimes com veículos pesados despencarem no Estado.


Foto: Sesp/ES - José Vieira de Oliveira Júnior, 45 anos, , conhecido como JJ, e ao seu filho Matheus Luiz Venturini de Oliveira, 26 anos, foram presos na última sexta-feira, em Cariacica..


O trabalho integrado das forças de segurança no Espírito Santo vem apresentando resultados expressivos no combate ao furto e roubo de veículos, especialmente de caminhões. De acordo com a Polícia Civil, os índices caíram ano após ano desde a criação de uma frente específica para enfrentar esse tipo de crime, com redução de cerca de 12% nos primeiros anos e chegando a 14% neste ano.


A virada começou quando a Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos passou a tratar o problema como prioridade. O foco inicial foi identificar e prender lideranças das quadrilhas, responsáveis por coordenar os furtos em diferentes regiões do Estado. Com essas prisões, os crimes envolvendo caminhões, que vinham causando prejuízos milionários e impacto direto na vida de caminhoneiros, tiveram queda significativa.


Segundo os investigadores, o furto de caminhões tem um efeito devastador. Além do alto valor do veículo, muitas vezes financiado, o crime atinge diretamente o meio de subsistência do trabalhador. “Não é só um veículo que vai embora. É o sustento de uma família inteira”, relatam policiais que acompanharam vítimas durante as investigações.


Operação Tolerância Zero


Em 2024, a Polícia Civil intensificou as ações com a Operação Tolerância Zero, reunindo equipes especializadas para desmontar uma organização criminosa voltada principalmente ao furto de caminhões. Ao longo do ano, foram realizadas oito a nove prisões, o que praticamente interrompeu esse tipo de crime por um período considerável.


Com os furtadores fora de circulação, as investigações avançaram para o núcleo da receptação, considerado essencial para manter o esquema criminoso ativo. Sem quem compre e distribua as peças, o crime deixa de ser lucrativo.


Prisão de receptadores e desmanche ilegal


Em maio de 2025, após o furto de um caminhão em Águia Branca, a polícia conseguiu chegar a um dos principais receptadores do Estado, José Vieira de Oliveira Júnior, 45 anos, , conhecido como JJ, e ao seu filho Matheus Luiz Venturini de Oliveira, 26 anos, que atuava diretamente no esquema. Eles foram presos na última sexta-feira, 12. A prisão de Matheus aconteceu no município de Cariacica e de seu , em Vila Velha. no município de Cariacica. As apurações revelaram que os veículos eram desmontados rapidamente e as peças encaminhadas para ferros-velhos, onde eram revendidas a um mercado clandestino já previamente organizado.


Durante a investigação, a polícia localizou um desmanche ligado ao grupo. O proprietário do local decidiu colaborar com as autoridades, o que ajudou a aprofundar as apurações e identificar outros envolvidos. Pai e filho foram presos em operações distintas, após tentativas de fuga e monitoramento por sistemas de inteligência.


Crime organizado e atuação interestadual


As investigações mostram que esse tipo de crime não acontece de forma isolada. As quadrilhas mantêm conexões com outros estados, como Minas Gerais, Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo. Cada grupo atua em uma etapa: furto, transporte, ocultação, desmanche e revenda das peças.


Para enfrentar essa estrutura complexa, a Polícia Civil criou um canal direto de comunicação entre delegacias, Polícia Rodoviária Federal e outras forças. Assim que um caminhão é furtado, as informações circulam rapidamente, o que tem permitido recuperar veículos no mesmo dia ou no dia seguinte.


Resultado direto na vida do cidadão


Com a prisão dos líderes e dos principais receptadores, a expectativa é manter os criminosos afastados das ruas por mais tempo, garantindo a continuidade da queda nos índices. Para os investigadores, combater a receptação é a chave para desarticular todo o esquema.


“Sem quem compre e distribua as peças, o crime perde força. É isso que tem feito a diferença”, resumem os policiais.

As investigações continuam para identificar outros elos da cadeia criminosa e evitar que novas quadrilhas ocupem o espaço deixado pelas que foram desarticuladas.

 
 
 

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