O que é simpatia — e por que ela não tem nada a ver com macumba. Aprenda algumas aqui para fazer agora mesmo.
- Addison Viana
- 2 de jan.
- 4 min de leitura
Por Addison Viana
Práticas comuns no Brasil, as simpatias atravessam séculos, misturam culturas e ajudam a explicar desejos, crenças e até preconceitos que ainda persistem.

Imagem Café IA
Pular ondas, vestir branco, guardar louro na carteira ou comer lentilha no Réveillon. Para muitos brasileiros, esses gestos simples fazem parte da tradição e carregam a esperança de um ano melhor. Essas práticas são chamadas de simpatias e, apesar de comuns, ainda geram confusão — especialmente quando são associadas, de forma incorreta, à chamada “macumba”.
Embora convivam no imaginário popular, simpatia e macumba não são a mesma coisa, nem têm a mesma origem, significado ou função.
Raízes antigas e mistura de culturas
As simpatias surgiram muito antes do Brasil existir. Na Antiguidade, povos como gregos e romanos realizavam pequenos rituais para atrair proteção, saúde e prosperidade.
Elementos naturais, como folhas de louro, canela e sementes, eram oferecidos aos deuses como forma de buscar equilíbrio e boa sorte. Em outras culturas, como a chinesa, o bambu era usado para afastar energias negativas.
Com o passar dos séculos, essas práticas chegaram ao Brasil e se misturaram às crenças indígenas e africanas, criando um rico sincretismo cultural. Foi nesse contexto que muitas simpatias ganharam novas formas, cores e significados, sendo transmitidas oralmente de geração em geração.
Tradição popular, não religião
Diferente do que muita gente pensa, simpatias não pertencem a uma religião específica. Elas fazem parte do folclore e da cultura popular, surgindo muitas vezes como soluções simbólicas em épocas em que havia pouco acesso à medicina, à informação ou a políticas públicas.
Na prática, funcionam como rituais simples voltados para desejos imediatos: amor, dinheiro, saúde, sorte ou proteção. Não possuem comprovação científica, mas podem ter um efeito psicológico positivo, ajudando a fortalecer a autoconfiança, o foco e o pensamento positivo de quem acredita nelas.
Então, o que é “macumba”?
O termo “macumba” é amplamente usado no Brasil, mas quase sempre de forma pejorativa e equivocada. Na realidade, ele não define simpatias nem rituais folclóricos. Trata-se de um nome popular — e incorreto — usado para se referir às religiões de matriz africana, como o Candomblé e a Umbanda.
Essas religiões possuem sistemas complexos, com fundamentos, divindades, hierarquias e rituais próprios, como ebós, padês e despachos. Reduzi-las a “simpatias” ou “coisas-feitas” é uma forma de desinformação que reforça preconceitos históricos.
Em resumo: simpatia é um ato folclórico isolado; “macumba”, como o termo é usado popularmente, refere-se de forma errada a religiões afro-brasileiras, que são muito mais profundas e estruturadas.
Por que as simpatias são mais comuns em certas épocas?
O período em que mais se realizam simpatias no Brasil é a virada do ano. O Réveillon simboliza recomeço, renovação e esperança, o que potencializa a crença de que pequenos rituais podem “abrir caminhos” para o novo ciclo.
As festas juninas também são um momento forte, principalmente para simpatias ligadas ao amor, à prosperidade e à colheita. O fogo da fogueira e a conexão com a terra reforçam esse simbolismo, segundo crenças populares e tradições esotéricas.
Além disso, fases da lua, como a crescente e a cheia, e dias associados ao amor, como a segunda-feira, também são considerados ideais para simpatias específicas.
Crença, cultura e respeito
As simpatias fazem parte da identidade cultural brasileira. Não são ciência, não são religião e tampouco substituem ações práticas. Mas ajudam a explicar como as pessoas lidam com desejos, medos e expectativas ao longo da vida.
Entender essa diferença é essencial não apenas para valorizar a cultura popular, mas também para combater preconceitos e respeitar as religiões de matriz africana, que historicamente sofreram estigmatização no país.
Agora que você já sabe o que é a simpatia, que tal fazer uma?
Para ter saúde sempre
Para que nenhum mal ataque a sua saúde, numa quinta-feira qualquer, pegue 1 maço de velas brancas e acenda no Cruzeiro de um cemitério, oferecendo aos seus santos protetores. Peça saúde sempre, tanto no lado físico quanto espiritual. Faça esta simpatia por 3 quintas-feiras seguidas. Ao sair do cemitério, olhe para trás e faça o Sinal-da-Cruz em agradecimento.
Para arranjar um novo amor
Materiais:
1 papel branco
1 caneta vermelha
Modo de fazer:
Pegue um papel branco e uma caneta vermelha. Escreva uma carta ao universo descrevendo as características que você deseja encontrar em um parceiro amoroso. Seja específico e detalhado sobre suas expectativas e desejos. Dobre o papel e coloque-o em um local seguro, como uma gaveta ou debaixo do travesseiro. Leia a carta ocasionalmente, mantendo a crença de que seu par ideal está a caminho.
Para ganhar dinheiro
Essa simpatia deve ser feita à noite: você mistura o arroz cru, o carvão e as folhas de louro em uma vasilha com água e depois deixa em algum lugar em que essa mistura receba a luz da Lua (de preferência, faça na Lua Nova). O recipiente pode ser tapado ou não com um pano branco e, se quiser, pode colocar uma moeda dourada dentro dele. Retire o recipiente pouco antes de o Sol nascer e descarte a mistura em frente à sua casa, virado de costas para a porta de entrada, mentalizando a prosperidade que deseja atrair. Você também pode guardar os itens sólidos em um pote de vidro se quiser, mantendo-o em um local visível.

























































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