Quando o relógio vira e o mundo recomeça: as curiosidades, rituais e tradições do Réveillon.
- Addison Viana
- 30 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
Por Addison Viana
Da Babilônia às praias brasileiras, o Réveillon atravessa séculos, culturas e crenças como um dos rituais mais simbólicos de renovação da humanidade.

A virada que conecta o planeta
À meia-noite do dia 31 de dezembro, milhões de pessoas ao redor do mundo fazem a mesma contagem regressiva — ainda que em horários diferentes. O Ano-Novo é um dos poucos momentos em que o planeta inteiro compartilha um mesmo significado: encerrar um ciclo e abrir espaço para outro, carregado de esperança, planos e desejos.
Essa celebração universal ganhou formas, cores e rituais próprios em cada cultura, transformando o Réveillon em um mosaico de tradições que misturam fé, superstição, história e emoção.
Uma tradição mais antiga do que se imagina
Muito antes dos fogos de artifício e das festas modernas, a passagem de ano já era celebrada há cerca de quatro mil anos na antiga Babilônia. Povos da Mesopotâmia, egípcios, gregos e romanos marcavam o início de novos ciclos ligados às fases da Lua, às colheitas ou às estações do ano.
Somente no século XVI, com a adoção do calendário gregoriano, o dia 1º de janeiro foi oficialmente definido como o primeiro dia do ano em boa parte do mundo ocidental.
Por que chamamos de Réveillon?
A palavra “Réveillon” vem do francês réveiller, que significa “acordar” ou “despertar”. No século XVII, o termo era usado para se referir a longos jantares e festas que atravessavam a madrugada — exatamente o espírito da noite da virada.
Com o tempo, o nome passou a simbolizar não apenas uma festa, mas o despertar para um novo tempo, um novo ano e novas possibilidades.
O branco da virada: fé, cultura e identidade brasileira

No Brasil, vestir branco no Réveillon é quase regra. A tradição tem origem nas religiões afro-brasileiras, como o Candomblé e a Umbanda, onde a cor simboliza paz, purificação e renovação espiritual, além de homenagear Oxalá e Iemanjá.
A partir da década de 1970, especialmente nas praias, o costume se popularizou e ganhou novos significados. Hoje, o branco ultrapassou o aspecto religioso e tornou-se um símbolo coletivo de esperança, boas energias e desejo de um ano mais leve.
Pular ondas, comer lentilhas e fazer promessas
Alguns rituais parecem simples, mas carregam forte simbolismo:
Pular sete ondas, tradição ligada às religiões de matriz africana, representa pedidos e agradecimentos.
Comer lentilhas simboliza fartura e prosperidade.
Romãs, uvas e champanhe são associados à abundância.
As promessas de Ano-Novo, feitas há milênios, funcionam como um compromisso simbólico com o futuro que se deseja construir.
Nem todo Ano-Novo acontece em janeiro

Ano Novo na China.
Embora o calendário gregoriano seja o mais difundido, muitas culturas celebram o Ano-Novo em outras datas:
China: o Ano Novo Lunar ocorre entre janeiro e fevereiro, com lanternas, dragões e festas que duram até 15 dias.
Israel: o Rosh Hashaná acontece entre setembro e outubro, marcado por reflexão e espiritualidade.
Países islâmicos: seguem o calendário lunar Hijri, com celebrações voltadas à oração.
Irã: o Nowruz marca o Ano-Novo no equinócio da primavera, em março.
Tailândia: o Songkran, em abril, celebra a virada com festivais de água.
Quem comemora primeiro e quem fica por último
A chegada do Ano-Novo não acontece ao mesmo tempo em todo o mundo. As primeiras celebrações ocorrem na ilha de Kiritimati, em Kiribati, no Oceano Pacífico, graças ao fuso horário UTC+14. Em seguida, vêm países como Nova Zelândia e Austrália.
Já os últimos a dar boas-vindas ao novo ano são regiões como o Havaí e a Samoa Americana, do outro lado da Linha Internacional da Data.
Tradições curiosas pelo mundo
O Réveillon também reserva costumes inusitados:
Alemanha: pessoas pulam de cadeiras à meia-noite.
Colômbia: muitos correm pelas ruas com malas para atrair viagens.
Escócia (Hogmanay): procissões de tochas e a tradição do first-footing.
Japão: templos budistas tocam os sinos 108 vezes para purificar os pecados humanos.
Grécia: cebolas são penduradas nas portas como símbolo de renascimento.
O Réveillon à brasileira

Queima de fogos em Copacabana, Rio de Janeiro.
No Brasil, a virada do ano mistura fé, festa e identidade cultural. Praias lotadas, queima de fogos, música, abraços entre desconhecidos e rituais herdados do sincretismo religioso marcam a celebração.
De Copacabana a Salvador, da Avenida Paulista ao litoral capixaba, o Réveillon brasileiro é um espetáculo coletivo que une tradição, diversidade e alegria.
Muito mais que uma festa
Mais do que fogos e brindes, o Ano-Novo representa uma pausa simbólica. É o momento de olhar para trás, agradecer, refletir e seguir adiante. Em qualquer lugar do mundo, a virada carrega o mesmo desejo: que o novo ciclo seja melhor do que o anterior.

























































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