Rede de abortos clandestinos é alvo de megaoperação que atinge Aracruz.
- Addison Viana
- 8 de dez. de 2025
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Por Addison Viana
Ação coordenada envolveu vários estados e resultou em apreensões e depoimentos em Aracruz.

Foto: Sesp/ES - Buscas e apreensões foram realizadas no bairro São Marcos, no município de Aracruz.
Uma investigação de alcance nacional movimentou equipes policiais em vários estados nesta segunda-feira (8). O Espírito Santo fez parte da Operação Aurora, ação deflagrada pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul em parceria com o Ministério da Justiça, e que mira uma organização criminosa envolvida no comércio ilegal de Misoprostol — medicamento conhecido por ser utilizado em abortos clandestinos.
No território capixaba, agentes da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Aracruz, junto da 13ª Delegacia Regional, cumpriram um mandado de busca e apreensão em uma residência no bairro São Marcos. No local, foram recolhidos materiais considerados relevantes para o avanço das investigações, que agora passarão por análise técnica.
Segundo a Polícia Civil, a atuação do grupo era altamente estruturada e se estendia por vários estados. As apurações apontam que os integrantes comercializavam o remédio pela internet e ofereciam orientações virtuais sobre como realizar procedimentos abortivos. Grupos em aplicativos de mensagens eram usados para guiar mulheres que, muitas vezes, desconheciam os altos riscos envolvidos.
De acordo com o delegado Ricardo Barbosa, titular da DHPP de Aracruz, o esquema alcançava centenas de mulheres, mostrando a dimensão da rede. “A investigação do Rio Grande do Sul revelou uma estrutura criminosa bem organizada, que se aproveitava de ambientes digitais para vender o medicamento e orientar o uso. É uma atuação que coloca a vida de muitas mulheres em perigo”, destacou.
Durante a ação em Aracruz, uma jovem de 19 anos foi conduzida à delegacia para prestar depoimento e liberada logo depois. Não foram divulgados detalhes sobre sua relação com o caso, preservando a investigação.
A Operação Aurora foi executada simultaneamente em estados como Paraíba, Goiás, Bahia, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Distrito Federal, reforçando que o grupo operava de forma interestadual. Para a Polícia Civil, a operação marca mais um passo importante no enfrentamento ao crime organizado e na proteção da saúde e da vida de mulheres vulnerabilizadas por práticas clandestinas.
As investigações continuam em andamento, com o objetivo de identificar todos os envolvidos na rede e desmantelar os canais de distribuição do medicamento irregular.

























































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