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São Mateus transforma a macadâmia em vitrine do agro capixaba para o mundo.


Por Addison Viana


Produzida no Norte do Espírito Santo, a noz nobre cresce em produtividade, ganha espaço no exterior e se destaca pelos benefícios nutricionais.


Foto: Freepik - A macadâmia produzida em São Mateus tem destino quase exclusivo: os Estados Unidos.


Discreta na lavoura e sofisticada na mesa, a macadâmia vem se consolidando como uma das apostas mais promissoras da agricultura capixaba. Produzida integralmente em São Mateus, no Norte do Espírito Santo, a noz reúne características que explicam seu sucesso: alta produtividade, valor agregado elevado e forte aceitação no mercado internacional, especialmente nos Estados Unidos.


De origem australiana, a macadâmia é considerada uma oleaginosa nobre. O gênero Macadamia é nativo das florestas da Austrália Oriental, e o fruto — protegido por uma casca extremamente dura — guarda um miolo cremoso, dourado e de sabor delicado, conhecido pela textura amanteigada. Também chamada de noz-de-Queensland, noz-do-mato ou noz-maroochi, ela conquistou consumidores ao redor do mundo.


No Espírito Santo, o crescimento da produção chama atenção não pela expansão de área, mas pelo ganho de eficiência. Entre 2022 e 2024, a área cultivada permaneceu estável, em torno de 660 hectares, enquanto a produção saltou de 1.470 toneladas para 2.055 toneladas — um avanço de quase 40% em apenas dois anos. O resultado é reflexo da maturação dos pomares, do uso de tecnologia no campo e do aprimoramento do manejo agrícola, características típicas de culturas perenes.


Além do desempenho produtivo, a macadâmia capixaba se destaca pelo perfil nutricional. Rica em gorduras monoinsaturadas, consideradas benéficas para a saúde do coração, a noz também oferece fibras, proteínas, vitaminas do complexo B (como B1 e B3) e minerais importantes, como manganês, cobre e magnésio. Outro diferencial é a presença de antioxidantes naturais. Por ser calórica, o consumo recomendado é moderado — cerca de duas unidades por dia —, preferencialmente na versão sem sal.


Versátil, a macadâmia é consumida como snack saudável e também amplamente utilizada na culinária, compondo saladas, risotos, massas, pães, bolos e até sorvetes. Fora da cozinha, o óleo extraído da noz é valorizado pela indústria de cosméticos, graças às propriedades hidratantes para a pele. O produto ainda pode ser encontrado na forma de farinha e manteigas vegetais.


No comércio exterior, a macadâmia produzida em São Mateus tem destino quase exclusivo: os Estados Unidos. As exportações vêm crescendo de forma consistente. Em 2023, foram embarcadas cerca de 153 toneladas, gerando US$ 1,18 milhão. Em 2024, o volume aumentou para 165 toneladas. Já em 2025, entre janeiro e novembro, as exportações alcançaram 183 toneladas, somando US$ 1,27 milhão, superando os resultados de anos anteriores antes mesmo do fechamento do ano.


Mesmo diante das discussões sobre possíveis aumentos de tarifas de importação pelos Estados Unidos, a macadâmia manteve sua competitividade ao ser incluída na lista de exceções tarifárias. Para o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli, o desempenho do produto reforça a importância de acompanhar o mercado internacional e investir em cadeias produtivas de alto valor agregado.


Concentrada em um único município, a produção de macadâmia do Espírito Santo mostra que estratégia, eficiência e qualidade podem transformar uma cultura pouco conhecida em um produto global, fortalecendo a diversificação e a competitividade do agro capixaba.

 
 
 

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