"Crueldade", "despejo" e "retrocesso": decisão de Ricardo Ferraço sobre assentamento provoca forte reação de lideranças do PT.
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Atualizado: há 5 horas
Por Addison Viana

Imagem: Arte Café IA
A decisão do Governo do Espírito Santo de desistir da transferência de uma área destinada ao Assentamento João Gomes, em Linhares, reacendeu o debate sobre reforma agrária no Estado e provocou uma onda de críticas de lideranças ligadas aos movimentos sociais.
Entre as vozes mais contundentes estão a da vereadora de Vitória Karla Coser (PT) e a do professor de Filosofia da Ufes e pré-candidato a deputado estadual Maurício Abdalla (PT). Ambos classificaram a medida como um retrocesso e manifestaram solidariedade às famílias que vivem e produzem na área.
Segundo eles, a mudança de posicionamento do governo coloca em risco dezenas de trabalhadores rurais que aguardavam a regularização definitiva da posse da terra.
Karla Coser: "Essas famílias já estavam construindo suas vidas"
Durante pronunciamento na Câmara Municipal de Vitória, Karla Coser afirmou que recebeu a notícia com preocupação e disse que a medida representa uma mudança na forma como o governo estadual trata os conflitos fundiários.
A parlamentar lembrou que o projeto previa a transferência da área para o Incra, permitindo a criação oficial do assentamento.
Segundo ela, as famílias já haviam iniciado uma nova etapa de suas vidas.
"Famílias que já estavam construindo suas casas, plantando e transformando aquela terra em uma área produtiva."
Para a vereadora, o desenvolvimento econômico precisa caminhar ao lado da justiça social.
Ela citou como exemplo a recente destinação de uma área para instalação da montadora GWM e afirmou que a regularização dos assentamentos deveria receber a mesma atenção do poder público.
Outro ponto criticado por Karla foi a transferência da discussão sobre conflitos fundiários da Secretaria de Direitos Humanos para a Secretaria de Segurança Pública.
Segundo a parlamentar, essa mudança altera a forma como o Estado passa a enxergar essas situações.
"Transforma uma questão de direitos humanos em uma questão de polícia."
Ao final do discurso, Karla reafirmou apoio ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e às famílias do Assentamento João Gomes.
"Nossa solidariedade às famílias e nossa luta para que todos tenham seu pedaço de terra, sua casa e sejam respeitados."
Maurício Abdalla chama decisão de "crueldade"
Também pelas redes sociais, o professor Maurício Abdalla afirmou que esteve recentemente no assentamento participando de uma atividade com os moradores, quando todos acreditavam que a regularização da área estava próxima.
Segundo ele, a decisão do governo frustrou a expectativa das famílias.
"Já estava tudo acertado. Agora essas famílias correm o risco de serem despejadas."
Maurício destacou que mulheres, homens e crianças vivem na área, produzem alimentos e já construíram suas moradias.
Para ele, a revogação da doação representa uma medida que atinge diretamente quem depende da terra para sobreviver.
O professor ainda comparou a situação com a recente doação de uma grande área pública para instalação da montadora GWM.
Segundo Maurício, enquanto grandes empresas recebem incentivos, agricultores que produzem alimentos enfrentam a possibilidade de perder o espaço onde vivem.
"Quem quer plantar e produzir alimentos agora corre o risco de perder tudo."
Ao final da gravação, ele pediu mobilização da sociedade para impedir que as famílias sejam retiradas da área.
Entenda o caso
A área em discussão possui mais de quatro milhões de metros quadrados e seria destinada ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), responsável pela criação do assentamento.
Com a mudança de posicionamento do Governo do Estado, foi solicitado à Justiça o prosseguimento da reintegração de posse do imóvel, o que poderá afetar as famílias que atualmente ocupam a área.
O Café com Política ES entrou em contato com a assessoria de comunicação do governador Ricardo Ferraço para solicitar um posicionamento sobre as críticas apresentadas na matéria. No entanto, até o fechamento desta reportagem, o governo não havia encaminhado resposta.
O caso segue em tramitação judicial.
























































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